Câmara Municipal de Vitória da ConquistaVereadoresNotícia
05/03/2026 08:30:00
Em um passo decisivo para a salvaguarda da identidade cultural local, os membros do Núcleo de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Município reuniram-se nesta quinta-feira (5), no Memorial da Câmara de Vereadores. O encontro, que contou com a participação de conselheiros municipais de Cultura, serviu para realizar um balanço das ações de 2025 e estabelecer as diretrizes estratégicas para 2026.

O ponto alto da reunião foi a definição pelo tombamento do Cristo Crucificado de Mário Cravo, uma das obras mais icônicas da Bahia, consolidando-o como patrimônio oficial do município. Localizado no alto da Serra do Periperi, o Cristo Crucificado, inaugurado em 9 de novembro de 1980, é uma obra-prima do escultor baiano Mário Cravo Júnior.
Com feições que remetem ao sertanejo, a escultura se distancia da estética tradicional europeia, apresentando uma estrutura vazada e moderna que se integra à paisagem urbana. O tombamento reconhece não apenas o valor artístico da estrutura de fibra de vidro e ferro, mas a sua relevância como marco geográfico e afetivo da cidade, garantindo que futuras intervenções preservem sua integridade original.
Além do monumento de Mário Cravo, o Núcleo definiu um cronograma para o primeiro semestre de 2026, que inclui rodadas de negociação e escuta ativa com lideranças religiosas. O objetivo é discutir o tombamento de bens de alto valor histórico, cultural e espiritual: Seminário Nossa Senhora de Fátima, Catedral Metropolitana e Primeira Igreja Batista. O foco é garantir que a preservação caminhe junto com a funcionalidade e a autonomia dessas instituições, estabelecendo uma rede de proteção compartilhada.
O presidente da Casa Legislativa, Ivan Cordeiro, reiterou o compromisso institucional com a pauta: "O Poder Legislativo é o guardião das aspirações da sociedade. Temos total interesse e empenho em apoiar ações que blindem nossa história contra o esquecimento. Defender nosso patrimônio é uma obrigação de cada parlamentar, e sei que todos estão envolvidos nesta causa tão nobre", afirmou.
O historiador, museólogo e chefe de comunicação da Câmara, Fábio Sena, enfatizou que o tombamento não deve ser um ato impositivo, mas uma construção coletiva. "É imperativo o desenvolvimento de uma prática pedagógica que promova a sensibilização social. A preservação do patrimônio só atinge sua plenitude quando a comunidade se reconhece naqueles bens; o tombamento deve ser compreendido como um pacto de cidadania entre o passado e a posteridade", pontuou Sena.
Representando a Secretaria de Cultura, Wal Cordeiro destacou o viés democrático das ações: "A preservação não pode ser um debate de gabinetes. Precisamos democratizar o acesso à cultura e às decisões sobre o que deve ser preservado, assegurando que todas as vozes da nossa diversidade cultural sejam ouvidas".
Já o vereador Subtenente Muniz, conselheiro de Cultura, trouxe à mesa a relação entre cultura e meio ambiente: "Não há preservação histórica sem o cuidado com o entorno. A proteção das nossas áreas ambientais é fundamental para manter o equilíbrio e a beleza cênica de monumentos como o Cristo, integrando patrimônio humano e natureza", declarou.