Na sessão ordinária desta quarta-feira, 11, a vereadora Gabriela Garrido (PV), que passa a assumir a liderança da Bancada Feminina na Câmara, falou sobre a importância do espaço conquistado pelas mulheres na política e refletiu sobre os desafios que ainda persistem, especialmente diante dos recentes casos de violência contra mulheres.
Ao iniciar sua fala, a parlamentar ressaltou o contexto preocupante vivido na sociedade. “Em uma semana onde diversos crimes, inclusive ocorridos na nossa cidade e outros ainda mais violentos fora dela, como o da menina que tomou 15 facadas no rosto por ter negado um pedido de namoro, nós precisamos falar sobre a evolução da mulher e o espaço que ocupamos”.
Gabriela destacou que a estruturação da Bancada Feminina representa um avanço institucional. “A bancada feminina está estruturada e sua existência representa, sim, um reconhecimento formal por parte deste Parlamento. Isso é importante e simbólico, mas também nos impõe uma reflexão honesta”.
Segundo ela, o próprio fato de ser necessário afirmar esse reconhecimento demonstra que a política ainda não é um espaço naturalmente pensado para mulheres. “É preciso ter cuidado no discurso do avanço. Muitas vezes, o que se apresenta como progresso é apenas uma nova ótica da desigualdade. Celebram-se presenças pontuais como se fossem conquistas definitivas, quando, na realidade, estamos longe da igualdade de condições de poder”.
A vereadora lembrou que as mulheres representam 52% do eleitorado e que houve avanços na Câmara e no Executivo, e associou essa desigualdade estrutural à violência enfrentada pelas mulheres. “Hoje somos cinco mulheres nesta Casa. No Executivo, recentemente foi nomeada mais uma secretária, totalizando cinco secretárias. Mas ainda somos a imensa minoria. Isso reflete como ainda somos um corpo estranho nos espaços de poder. O quanto nossas mulheres estão expostas a essa desigualdade que culmina, no fim, nessa violência terrível”.
Durante a fala, Gabriela também esclareceu dúvidas sobre o julgamento do caso da jovem Sashira Camilly, crime que chocou Vitória da Conquista e cujo julgamento foi transferido para outro município. “As pessoas ficam sem entender por que o julgamento foi retirado de Vitória da Conquista. Isso é uma questão legal prevista na nossa legislação. Quem retirou não foi a Justiça local, nem o procurador ou a polícia. Esse é um direito do réu, deferido pelo Tribunal de Justiça da Bahia, que define onde o julgamento deve ocorrer quando há grande comoção pública”.
Ela explicou que, no Tribunal do Júri, a decisão cabe aos jurados e que a mudança de local visa preservar a imparcialidade. “O Tribunal entendeu que os jurados poderiam estar com a visão contaminada pela comoção, o que poderia comprometer o direito de defesa do réu”.
Sobre a pena aplicada, a vereadora opinou: “Eu, pessoalmente, achei a pena baixa. Mas, em julgamentos realizados em Feira de Santana e Jequié, geralmente os juízes iniciam a dosimetria pela pena mínima. Por isso ficou em pouco mais de vinte anos. Como ele já está preso há cinco anos, poderá solicitar progressão de regime em breve. Isso gera na gente uma sensação de injustiça”.
Por fim, Gabriela defendeu que o debate deve ir além de casos isolados e focar na prevenção, reforçando a importância da educação e da mudança cultural. “Embora o caso seja chocante, não devemos nos apegar apenas a situações específicas. Precisamos conversar para que esses crimes não ocorram, para que novas meninas não sejam mortas ou esfaqueadas. Precisamos preparar os homens para que consigam receber o ‘não’ de uma mulher com naturalidade e não com violência. E, para isso, também precisamos naturalizar que as mulheres ocupem cada vez mais espaços de poder, com mais voz e representatividade”.
Por Camila Brito