Câmara Municipal de Vitória da ConquistaVereadoresSessão OrdináriaTribuna LivreNotícia
02/04/2025 10:05:00
Na sessão desta quarta-feira (2), a presidente da Associação de Mães Autistas Unidas, Nerisvalda Matos, fez uso da Tribuna Livre da Câmara Municipal, por ocasião do Dia Internacional da Conscientização do Autismo. Mãe de um autista de 31 anos e avó de outro com 10 anos de idade, Nerisvalda afirmou o dia não serve para comemorações, pois não motivos. “Há 31 anos não tinha muita informação. Hoje temos todas as informações, mas falta o empenho de políticas públicas e o poder público abraçar a nossa causa”, reivindicou.
Nerisvalda explicou que o Grupo Mãe de Autistas Unidas representa todas as famílias atípicas e com deficiência, independente de questões partidárias, religiosas ou de qualquer ordem. “Há muito tempo estamos pedindo socorro, estamos pedindo o básico”, disse. A presidente também denunciou a alta demanda existente no CAPS IA onde, até o ano passado, segundo ela, era preciso chegar às 3:40h da madrugada para receber acolhimento, etapa anterior ao atendimento.
Ainda de acordo com a mãe, atualmente mais de 4 mil crianças autistas passam pelo Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil do município, o que mostra a necessidade da criação de um Centro de Referência para Tratamento de Autismo. “Aqui é a Casa do Povo e a gente pede socorro para a saúde mental de Conquista. Se cada vereador se engajar na luta, quem ganha é a cidade. A situação é séria! Não adianta priorizar outras coisas”, reclamou.
Nerisvalda informou que visita constantemente outras mães atípicas, prestando solidariedade, e que muitas delas estão com a saúde mental abalada: “existem mães que não conseguem nem tomar banho! Elas precisam de tudo: remédio, atendimento, assistência. Há pouco tempo estivemos aqui na Câmara de Vereadores e poucos vereadores abriram as portas para nós. O que está acontecendo é a não valorização da saúde mental e, sem isso, não conseguimos nada”, desabafou.
A presidente expôs também o problema na educação formal destas crianças, uma vez que muitas delas estão “fora das salas de aula porque não têm o laudo”. Nerisvalda disse que leva mais de um ano para conseguir o documento que ateste a condição da criança, isso por causa da grande demanda. “Quero fazer um protesto e não podemos comemorar. Como mãe e avó atípica, estou fazendo a minha parte, mas tem muitas pessoas que não fizeram e muitos vereadores precisam fazer uma autoanálise sobre seu propósito aqui na Câmara. Queremos unir forças em prol das pessoas que estão sofrendo”, finalizou.
Por Andréa Póvoas