Durante sessão desta quarta-feira (21), vereadora questionou o uso político do tema, criticou a circulação de armas e destacou investimentos na Polícia Civil da Bahia
A vereadora Gabriela Garrido (PV) utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, durante a sessão ordinária desta quarta-feira (21), para defender uma política de segurança pública baseada em planejamento, inteligência, investigação e combate à estrutura financeira das organizações criminosas. Em seu pronunciamento, ela questionou a associação entre posicionamento político e capacidade de enfrentar a violência e criticou o uso do medo da população como estratégia eleitoral.
A parlamentar iniciou o discurso com uma provocação: “Quando o lado político virou garantia de segurança pública?”. Ao comparar a realidade de estados governados por diferentes grupos políticos, como Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, argumentou que a presença de facções criminosas não pode ser atribuída exclusivamente à orientação ideológica de quem está à frente dos governos.
Para Gabriela, o enfrentamento ao crime organizado exige ações efetivas, independentemente de disputas partidárias. “A verdade é que o crime organizado não tem preferência político-partidária, e segurança pública não se faz com ideologia, mas com planejamento, inteligência e resultados”, afirmou.
A vereadora destacou que o trabalho das forças de segurança precisa ir além da prisão de pessoas que atuam diretamente nas ruas. Segundo ela, é fundamental identificar os financiadores das organizações criminosas, bloquear patrimônios, combater a lavagem de dinheiro e enfraquecer economicamente as facções.
Nesse contexto, Gabriela defendeu o debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, que busca fortalecer a integração entre União, estados e municípios no enfrentamento à criminalidade. A parlamentar também mencionou investigações conduzidas durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Vereadora questiona relação entre armas e segurança das famílias - Outro ponto central do pronunciamento foi a circulação de armas de fogo e seus impactos sobre a violência doméstica e os crimes contra a vida. Gabriela criticou discursos políticos que associam a ampliação do acesso às armas à proteção das famílias e questionou se essa proposta considera a realidade de mulheres e crianças expostas à violência dentro de casa.
A parlamentar citou dados que atribuiu a levantamentos sobre violência no Brasil, incluindo informações sobre o uso de armas de fogo em assassinatos de mulheres, episódios de violência doméstica e mortes violentas intencionais.
Ao abordar o tema, ressaltou que a presença de uma arma em situações de conflito pode aumentar o risco de desfechos fatais, inclusive em discussões familiares e desentendimentos no trânsito.
“Não podemos confundir direito à legítima defesa com a ideia de que quanto mais armas circulando, mais segura será a sociedade. Defender a família brasileira é, antes de tudo, defender a vida que está dentro dela”, declarou.
Para Gabriela, uma política de segurança pública consistente precisa reunir valorização dos profissionais, tecnologia, prevenção e investigações capazes de alcançar as estruturas de comando das organizações criminosas. Ela também destacou a importância de impedir o recrutamento de jovens pelas facções.
“A arma não substitui a investigação, a violência não substitui a inteligência e o discurso de ódio não substitui política séria de segurança pública”, afirmou.
Experiência na Polícia Civil da Bahia - Ao final do discurso, Gabriela Garrido recorreu à própria experiência profissional para defender os avanços que, segundo ela, ocorreram na estrutura da Polícia Civil da Bahia durante os governos do Partido dos Trabalhadores (PT).
Funcionária pública da Polícia Civil há mais de 20 anos, a vereadora relatou mudanças na disponibilização de computadores, viaturas, armamentos, coletes e na estrutura das delegacias. Ela também destacou a realização de concursos públicos para ampliar o efetivo policial, especialmente nas áreas responsáveis pela investigação criminal.
“Eu não estou dizendo isso de ouvir falar. Estou dizendo isso porque eu vivi, eu participei de todo o processo de aparelhamento e de crescimento da Polícia Civil da Bahia”, declarou.
A parlamentar reconheceu que a ampliação do efetivo e da estrutura policial envolve desafios orçamentários e outras demandas do Estado, mas defendeu a continuidade dos investimentos e o fortalecimento das instituições responsáveis pela segurança pública.
Ao concluir, Gabriela afirmou que o enfrentamento à violência deve ser uma obrigação permanente do poder público, e não uma pauta restrita aos períodos eleitorais. Para ela, o compromisso com a segurança precisa ser medido pela capacidade de prevenir crimes, desarticular organizações criminosas e preservar vidas.
“Segurança pública não pode ser uma bandeira levantada apenas durante a campanha e depois esquecida. É obrigação permanente do Estado, independentemente de quem governa”, concluiu.
Por Andréa Póvoas