Imagem Audiência pública debate soluções baseadas na natureza e adaptação climática

Audiência pública debate soluções baseadas na natureza e adaptação climática

Câmara Municipal de Vitória da ConquistaAudiência PúblicaNotíciaGabriela Garrido

23/09/2026 14:31:00


Encontro acontece nesta quarta-feira (23), às 19h, na Câmara Municipal, e reúne especialistas, representantes do poder público e sociedade civil para discutir medidas de prevenção e enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas

A Câmara Municipal de Vitória da Conquista realiza, nesta quarta-feira (23), a partir das 19h, a audiência pública “Conquista Resiliente: Soluções Baseadas na Natureza e Adaptação Climática”. A iniciativa do mandato da vereadora Delegada Gabriela Garrido (PV) propõe ampliar o debate sobre políticas públicas capazes de preparar o município para os impactos das mudanças climáticas, com foco em soluções baseadas na natureza, infraestrutura verde e azul, prevenção de riscos e participação social.

A discussão ocorre em um momento em que Vitória da Conquista já registra os efeitos de eventos climáticos extremos e avança na elaboração de políticas específicas de adaptação. Em março deste ano, o município chegou a decretar situação de emergência após um período de 18 dias consecutivos de chuvas, que acumulou cerca de 285,67 milímetros em alguns pontos e provocou alagamentos severos e o isolamento temporário de comunidades rurais.

Meses depois, o cenário se voltou para a estiagem e o aumento dos incêndios. Dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente apontam que agosto de 2026 terminou com 32 incêndios combatidos e 169 focos registrados. As ocorrências atingiram áreas de importância ambiental, como a Serra do Periperi, a Reserva do Poço Escuro e Lagoa das Flores, além de regiões rurais e terrenos urbanos.

Em setembro, a Prefeitura também passou a discutir medidas de prevenção diante dos possíveis efeitos do El Niño sobre o regime de chuvas. Segundo informações divulgadas pelo Município, somente nos meses de julho e agosto foram contabilizados 118 focos de incêndio. A administração municipal também registrou uma forte chuva de granizo no início de setembro.

O contraste entre períodos de chuvas intensas e estiagem reforça a necessidade de planejamento de longo prazo. A própria característica territorial de Vitória da Conquista exige atenção a diferentes tipos de vulnerabilidade: o município possui cerca de 3.254 km², altitude média de 923 metros, clima subúmido a seco e áreas inseridas nos biomas Caatinga e Mata Atlântica.

Município já constrói Plano de Adaptação Climática

A audiência também acontece paralelamente a uma iniciativa que já está sendo desenvolvida pelo Poder Executivo. Em julho, a Prefeitura instituiu, por decreto, o Grupo de Trabalho Intersetorial (GT Clima), responsável pela elaboração do Plano Municipal de Adaptação às Mudanças Climáticas. O grupo tem entre suas atribuições identificar riscos e vulnerabilidades, apontar áreas e populações mais suscetíveis e estabelecer diretrizes, metas e ações de adaptação.

Vitória da Conquista também está entre os dez municípios baianos selecionados para participar do Programa AdaptaCidades, iniciativa vinculada ao Governo Federal que oferece capacitação e apoio técnico para a elaboração de planos municipais de adaptação climática.

Na última segunda-feira (21), inclusive, a Prefeitura realizou uma nova reunião de alinhamento para avançar na construção do plano. Entre os próximos encaminhamentos está a ampliação do diálogo com instituições de ensino superior, conselhos profissionais, entidades e organizações da sociedade civil.

Outro instrumento recente é o Plano Municipal de Arborização Urbana, instituído em julho. O documento estabelece diretrizes para planejamento, implantação, manutenção e monitoramento da arborização da cidade e considera a ampliação da cobertura vegetal como uma das estratégias de adaptação às mudanças climáticas.

Soluções baseadas na natureza

É nesse contexto que entram as chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SbN). A proposta é utilizar processos e estruturas naturais para ajudar a enfrentar problemas urbanos, rurais e ambientais, conciliando infraestrutura, preservação ambiental e qualidade de vida.

Entre as possibilidades estão a implantação de jardins de chuva, biovaletas, pavimentos permeáveis, recuperação de cursos d’água e nascentes, sistemas agroflorestais, hortas, arborização, áreas de sombreamento, florestas de bolso, parques lineares, corredores verdes e técnicas de bioengenharia de encostas.

Na prática, essas soluções podem contribuir para aumentar a infiltração da água da chuva, reduzir o escoamento superficial, melhorar o conforto térmico, proteger a biodiversidade, recuperar áreas degradadas e diminuir a vulnerabilidade de determinados territórios diante de eventos extremos.

A discussão também dialoga com situações já enfrentadas pelo município. Em fevereiro, por exemplo, um temporal provocou alagamentos e deslocamento de material em áreas da cidade; em março, chuvas intensas levaram o Município a decretar situação de emergência.

Participação social

A audiência deverá discutir ainda aspectos como diagnóstico de riscos e vulnerabilidades, definição de metas e prioridades, planejamento integrado, ações preventivas, justiça climática, priorização territorial, participação popular, transparência, indicadores, monitoramento e revisão periódica das políticas públicas.

Para a vereadora Delegada Gabriela Garrido, autora da iniciativa, o momento é oportuno para aproximar o debate legislativo das ações de adaptação que estão sendo construídas no município.

“O encontro pretende discutir e aperfeiçoar propostas legislativas relacionadas à Política Municipal de Soluções Baseadas na Natureza e Infraestrutura Verde e Azul, bem como à Política Municipal de Conscientização Climática, Sustentabilidade e Mobilização Social diante dos Impactos da Crise Climática, incluindo o debate sobre a ampliação desta última para uma Política Municipal de Adaptação Climática”, afirmou Gabriela.

A expectativa é que o encontro reúna especialistas, profissionais, docentes, pesquisadores, estudantes, comunidades, órgãos públicos e entidades da sociedade civil, permitindo que diferentes conhecimentos e experiências territoriais contribuam para o aperfeiçoamento das propostas em discussão.

Mais do que discutir os efeitos dos eventos climáticos depois que eles acontecem, a audiência propõe colocar em pauta estratégias de prevenção, adaptação e planejamento, buscando aproximar as políticas ambientais, urbanas, sociais e de infraestrutura das necessidades de Vitória da Conquista diante de um cenário climático cada vez mais desafiador.

Por Lavínia Marinho (estagiária sob supervisão)



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