Câmara Municipal de Vitória da ConquistaNotíciaRádio Câmara FM 90.3
10/09/2026 11:50:00
Em janeiro de 2024, foi fundada em Vitória da Conquista a Associação do Setor Audiovisual do Sudoeste Baiano, a SASB, uma entidade que busca representar, defender e fortalecer os direitos e o desenvolvimento da cadeia produtiva do audiovisual na região sudoeste do estado. Apesar de atuar ativamente na reivindicação de políticas públicas para o setor, a SASB ainda não possuía uma sede no município.
Em entrevista à Rádio Câmara, no programa Fala Conquista, o jornalista Guilherme Barbosa e a repórter Amanda Motta, receberam Pola Ribeiro, Diretor da Bahia Filmes e conferencista da 17° Mostra Cinema Conquista e Gerardo Smith, Arquiteto que acompanha os projetos da Mostra Cinema Conquista, Casa Glauber e Cine Madrigal. Os entrevistados falaram da possibilidade da construção da sede da SASB, no terreno que abrigava a antiga delegacia da Polícia Civíl do município.
Localizada em frente a Praça Sá Barreto, o terreno funcionou como cadeia pública até o final dos anos 80 e também como delegacia de polícia. Atualmente o imóvel pertence ao Governo do Estado da Bahia mas, em 31 de outubro de 2025, a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista e a Defesa Civil realizaram uma intervenção para demolição parcial do imóvel após um desmoronamento interno e de parte do telhado.

Durante a entrevista, Pola destacou Vitória da Conquista como uma das cidades mais importantes do interior da Bahia, reforçando a importância de uma sede para a SASB: “Pessoas que fazem educação audiovisual no Brasil inteiro vão se interessar por estar aqui, simbolicamente, quando você consegue envolver o setor do audiovisual, o setor da educação e também forças políticas como municipal, estadual e federal, você consegue realmente criar uma coisa que tem a ver com Vitória da Conquista, que é a cidade mais importante do interior da Bahia, que precisa ocupar o seu lugar.
O Arquiteto Gerardo Smith ressaltou a importância de voltar às atividades culturais para a região central de Vitória da Conquista, pensando na existência de espaços como a Casa Gláuber Rocha, o Teatro Carlos Jeová e outros imóveis que podem ser aproveitados. “Se a gente raciocinar, temos ali uma estrela de quatro pontas, a Casa Gláuber Rocha, a própria delegacia, o Cine Madrigal e o Teatro Carlos Jeová. Então esse circuito todo é simbolicamente uma proposta que a gente vem desenvolvendo há um tempo, é transformar esse polígono no polígono cultural e cívico da cidade".
Segundo Gerardo, a Casa Gláuber, que é uma referência para o município, pode abrigar um acervo digital aberto ao público. “Então a Casa Gláuber é uma referência não só tangível, porque dando tudo certo a gente vai ter um acervo digital lá que vai ser visualizado, mas também ele é intangível na espacialidade daquela edificação, por nos remeter a uma imaginação do que era Conquista no passado, a casa da década de 30 o pensamento de Gláuber Rocha que é dos anos de 50, 60, 70 para frente.”
Com pouco mais de 2 anos de atuação, a Associação do Setor Audiovisual do Sudoeste da Bahia já realizou articulações junto à Prefeitura Municipal e órgãos estaduais para a reabertura e projetos de recuperação de espaços tradicionais como o Cine Madrigal e a implantação da Casa Gláuber, buscou assegurar a destinação de recursos de leis de incentivo como a Lei Paulo Gustavo e integra fóruns regionais e estaduais do audiovisual para fortalecimento da cultura no interior como o Fórum Audiovisual dos Interiores da Bahia, que já está em sua 4° edição.
Apesar da política audiovisual do Brasil ter cerca de 25 anos, Pola Ribeiro relembra que a distribuição do audiovisual deixou a desejar em alguns momentos. “A parte de produção foi muito valorizada nesses anos, a gente fez muitos filmes, mas a gente não pegou muito na questão da preservação na conservação dos filmes, da divulgação, da distribuição e da exibição propriamente dita”.
Pola ainda aposta em grandes voos para o município de Vitória da Conquista em relação ao setor audiovisual: “Quando você quer criar uma política pública, você tem que ter na ponta quem queira atuar naquela situação e a gente tem. Vitória da Conquista criou bases e experiências que são capazes de dar sustentabilidade a isso. Então para mim, isso é a coisa mais importante, não só para o território, mas para o ecossistema audiovisual da Bahia e quero apostar que a gente vai influenciar o audiovisual do Brasil, tendo aqui esse polo de cinema e o Brasil vai olhar para a Conquista e querer participar disso”.
Lavínia Marinho (Estagiária sob supervisão)
Fotos: Nagual Pardo