Durante a Sessão Ordinária na sessão desta quarta-feira, 10, o fundador da Associação Lar da Misericórdia, João Paulo de Oliveira de Souza, utilizou a Tribuna Livre para discutir as políticas públicas voltadas à população em situação de rua e expor fragilidades e potencialidades do Centro POP Adulto, equipamento responsável pelo atendimento desse público no município.
Com 26 anos de experiência junto às pessoas em situação de rua, João Paulo relembrou sua trajetória iniciada no ano 2000, através da Pastoral de Rua da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, quando realizava ações de distribuição de alimentos, agasalhos e apoio espiritual. Segundo ele, essa experiência deu origem ao Lar da Misericórdia, instituição que há mais de uma década acolhe pessoas em vulnerabilidade social, oferecendo abrigo, alimentação e acesso a serviços de saúde e assistência social.
Atualmente servidor público municipal e educador social do Centro POP Adulto, João Paulo afirmou que passou a conhecer de perto a realidade enfrentada pela unidade e denunciou uma série de problemas estruturais e operacionais. Entre as situações relatadas estão a falta de materiais básicos de higiene, infraestrutura precária dos banheiros, ausência de condições adequadas para servidores e usuários, além de episódios frequentes de violência, ameaças, uso e tráfico de drogas nas proximidades e até mesmo dentro do equipamento.
Segundo ele, a insuficiência de vagas em abrigos provisórios também contribui para o agravamento da situação, gerando tensão entre usuários e profissionais do serviço. João Paulo destacou ainda que diversas dessas questões já teriam sido apontadas anteriormente por servidores, consultores e pela própria população atendida, sem que medidas efetivas fossem adotadas.
Em sua fala, o fundador do Lar da Misericórdia fez um apelo para que a prefeita, o secretário municipal de Desenvolvimento Social, vereadores e representantes da comunidade realizem uma visita ao Centro POP para conhecer de perto a realidade do local. “É necessário entrar, conversar com usuários e trabalhadores, observar o funcionamento do serviço e compreender os desafios enfrentados diariamente”, afirmou.
João Paulo ressaltou que a discussão não deve ser interpretada como uma rejeição às pessoas em situação de rua, mas como uma defesa da melhoria das condições de atendimento. Para ele, o equipamento precisa oferecer segurança, dignidade e oportunidades reais de reinserção social.
Ao encerrar sua participação, reforçou que acredita na recuperação e transformação das pessoas em situação de vulnerabilidade, mas defendeu mudanças na condução das políticas públicas voltadas ao setor. Também fez um apelo à solidariedade da população, especialmente com a chegada do inverno, pedindo apoio às ações de acolhimento e assistência às pessoas que vivem nas ruas.
Por Camila Brito