Na sessão legislativa desta quarta-feira (15), o vereador Luís Carlos Dudé (União Brasil) subiu à tribuna da Câmara Municipal para manifestar seu repúdio à substituição de aeronaves de grande porte por modelos de menor capacidade na rota entre Vitória da Conquista e Salvador. Em um discurso enfático, o parlamentar classificou a situação como uma "impotência política extraordinária" e comparou o cenário atual ao ano de 1948.
Dudé exibiu uma fotografia de uma aeronave antiga para ilustrar o que chamou de retrocesso tecnológico e logístico. Segundo o vereador, a proposta de operação atual remete a tempos em que a cidade era muito menor em termos populacionais e econômicos.
"O ano era 1948, e a Nacional operava em Vitória da Conquista com uma aeronave teco-teco, como esta que estão colocando agora. Pasmem-se, senhores: 1948. Nós estamos no ano de 2026. De lá para cá, muita coisa mudou nessa cidade. Esta é a foto da aeronave que a Azul propõe colocar aqui. Vergonha, impotência, falta de vontade e de representatividade política desta terra", desabafou Dudé.
O parlamentar direcionou suas críticas à falta de investimentos estruturantes por parte das esferas estadual e federal, questionando nominalmente a atuação dos senadores da Bahia em relação ao município. "Este estado tem três senadores. Qual foi a obra? O que foi que os senadores trouxeram para Vitória da Conquista ao longo da história? Qual é o problema com esta terra e não é de agora? Qual é a dor de cotovelo?", indagou o vereador, sugerindo que há um descaso com as cidades do interior baiano.
Dudé endossou a audiência pública convocada pelo presidente da Casa, Ivan Cordeiro, para o próximo dia 27 de abril, reforçando que o problema transcende os limites do município e afeta todo o Sudoeste baiano. Ele convocou os prefeitos, o governador do estado e o Governo Federal para um diálogo imediato.
"Pode bater nesta cidade, porque ela é como uma clara de ovos: quanto mais bate, mais ela cresce. É hora de fazer uma união de forças entre Câmara de Vereadores, prefeituras da região, Governo do Estado e Governo Federal. Se eles não aceitarem esse desafio de estar aqui, é porque não dão importância à Jóia do Sertão. E aí, em outubro, esta cidade dará a resposta", concluiu o parlamentar.
Por Camila Brito