Na sessão desta sexta-feira (20), a vereadora Márcia Viviane (PT) fez um pronunciamento abrangente, abordando desde a revogação da Tarifa de Pós-Utilização (TPU) da Zona Azul até a situação da saúde pública no município, com ênfase na necessidade de fiscalização do orçamento e na responsabilidade do poder público com a população.
Logo no início, a parlamentar convidou a sociedade conquistense para participar de uma plenária promovida pelo Fórum de Mulheres de Vitória da Conquista. “Gostaria de fazer um convite, não só para as mulheres, mas para toda a sociedade de Vitória da Conquista. Amanhã, 21 de fevereiro, no Sindicato dos Bancários, o Fórum de Mulheres estará promovendo uma plenária pela Vida das Mulheres, contra o Imperialismo, por Democracia e Soberania e pelo fim da escala 6 por 1. Está aberto a toda a população.”
Ao tratar da suspensão da taxa pós-uso da Zona Azul, Viviane lembrou que alertou sobre os problemas da medida desde a publicação do decreto. “Eu fiz o uso da tribuna assim que saiu o decreto, no dia 26 de novembro, alertando sobre essa cobrança excessiva da taxa pós-uso. Teve um redecreto adiando para 1º de janeiro, mas não mudou muita coisa”, disse.
Para a vereadora, a revogação foi um passo importante, mas insuficiente. “Eu acho extremamente importante que todas as pessoas que foram autuadas tenham esses valores ressarcidos.”
Viviane criticou a ausência de diálogo na construção da medida e questionou a forma como o decreto foi elaborado. “Eu não sei se esse decreto foi copiado e colado de algum município e tentaram aplicar aqui em Vitória da Conquista sem ouvir a população, sem ouvir a Câmara de Vereadores”, pontuou.
Segundo ela, a decisão trouxe prejuízos concretos tanto para comerciantes quanto para o próprio Legislativo. “Respingou aqui nos vereadores como se nós tivéssemos alguma culpa em relação a essa cobrança da taxa pós-uso e também respingou nos comerciantes, que tiveram prejuízos reais.”
Ao defender maior escuta antes da adoção de medidas administrativas, citou uma frase recorrente do ex-prefeito Guilherme Menezes. “Tem uma máxima que o doutor Guilherme sempre usava: quem ouve mais erra menos.”
Alerta sobre saúde e fiscalização do orçamento - A vereadora também trouxe informes sobre a confirmação de casos de mpox (doença viral da mesma família da varíola), sendo um deles registrado em Vitória da Conquista. “Os dois casos confirmados são de pacientes residentes em outros municípios, que estão em boa recuperação e seguem em isolamento. Qualquer sinal ou sintoma, procurar a unidade de saúde mais próxima.”
Viviane dedicou parte significativa do discurso à situação orçamentária da saúde municipal, ressaltando o corte de R$ 72 milhões. "Não é pouco recurso. R$ 72 milhões é muito recurso para a saúde, que já é tão precária em Vitória da Conquista.”
Ela enfatizou o dever constitucional da Câmara de fiscalizar a aplicação dos recursos. “Nós, desta Casa, temos a responsabilidade de fiscalizar não só os recursos do governo federal e os repasses do governo estadual, mas principalmente a aplicação do orçamento da saúde no município”, pontuou.
Viviane também rebateu argumentos que atribuem a crise da saúde ao governo federal. “Não adianta colocar a culpa no governo federal, porque os repasses estão em dia. É só consultar o Fundo Nacional de Saúde, está lá, todos os recursos caindo religiosamente”, explicou.
Por fim, cobrou clareza sobre a contrapartida do município e a contratualização com a unidade hospitalar, especialmente diante da ausência de previsão para a inauguração da UPA municipal. “Nós precisamos ver aqui a contrapartida do município em relação à contratualização com a Unimec. Vamos seguir acompanhando realmente a questão do orçamento da Secretaria Municipal de Saúde”, finalizou.
Por Samara Dias